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Conto de Natal… Um Jesus na vida do João

*Por Antonio José

João, apenas João sem sobrenome, sem emprego, casado com Maria, também sem sobrenome e pai de três filhos pequenos (duas meninas e um menino). A vida não tem sido nada fácil, vivendo daquilo que os outros lhe dão, é desta forma que há mais de um ano, João “sustenta” sua família. Ele é vítima dos desmandos da política em Brasília, é um dos milhares que sofrem com o desemprego e por consequência, leva uma vida sub-humana.

É véspera de Natal, a família saiu para ver as luzes no centro da cidade e também se alimentar de ilusão nesta época de magia e encantamento. Lá em sua casinha, embaixo da árvore de Natal estão três cartinhas ao Papai Noel com pedidos específicos: “Um emprego para o papai, duas bonecas e um carrinho”.

Durante a caminhada, eles entram na Igreja que também está toda enfeitada e João faz uma oração no silêncio do seu coração: “Jesus, obrigado pela família linda que o Senhor me deu, mas, faz hoje um milagre, que eu possa dar os presentes das crianças em uma ceia de Natal lá em casa. Ah, ia me esquecendo, preciso de um emprego… amém”.

Voltando para o lar, de longe dava para perceber que algo tinha mudado, pois, não tinha condições de ter enfeitado a casa com luzes igual ao centro da cidade. Apesar de simples, a casinha destoava no bairro pobre, com tanta luz que piscava. Ao entrar, a família se deparou com a mesa decorada com uma farta ceia de Natal e em baixo da árvore estavam os presentes das crianças e um envelope para João.

“Estou atendendo o seu pedido e como sei que você é um homem honrado e só quer ter a dignidade de um trabalho, tudo isso será descontado no seu salário em suaves prestações. A minha empresa está te contratando na função de pedreiro, com um salário digno à sua profissão”. A carta estava assinada por um dos empresários mais importantes da cidade, que era dono também de uma grande construtora.

Como diz a canção ‘Estou Pensando em Deus’, do Padre Zezinho: “Tudo seria bem melhor / Se o Natal não fosse um dia / E se as mães fossem Maria / E se os pais fossem José / E se os filhos parecessem / Com Jesus de Nazaré. A fé não precisa de explicações e João não queria entender como aquele empresário se transformou em seu Jesus no Natal. Ele apenas ajoelhou, agradeceu por esta Noite Feliz com a sua família e por todas as outras que virão, agora que está empregado.

*Antonio José é diretor e editor do Jornal O Liberal de Campo Mourão; tem três livros de poesias editados: Lágrimas (1989) em coautoria com Oswaldoir Capeloto, Fragmentos (1998) e Mais Uma Vez a Poesia! (2002). Em tudo que faz usa uma frase que sintetiza o que mais acredita na vida depois de Deus: É Permitido Sonhar…!


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