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Família Daleffe reúne membros de todo país em Campo Mourão

Por Dilmércio Daleffe

Cerca de 150 Daleffes de todo país e da Itália se reencontram neste final de semana, na Pousada Fazendinha, em Campo Mourão, no evento denominado Daleffest. A festa acontece de dois em dois anos e objetiva a reaproximação dos membros da família, uma vez que estão espalhados por todo o país desde 1891. Trata-se de um primeiro passo para que os descendentes de italianos façam valer a força de seus antepassados. Colonizadores do sul do país vieram da Itália ainda no século 19, quando desembarcaram no porto de Imbituba (SC).

Este ano, a 2ª Daleffest conta com famílias de Sinop (MT), Campinas (SP), Pirapozinho (SP), Jandira (SP), Arapongas, Assis Chateaubriand, Francisco Beltrão, Criciúma (SC), Treviso (SC), além de Campo Mourão. Denir Daleffe conta que não vê a hora dos familiares chegarem. “Estamos felizes em receber os Daleffes de todo o país. Vamos fazer uma festa muito bonita”, disse. Denir lembra que na primeira Daleffest, organizada em Nova Veneza(SC), ele percorreu 900 Km de carro.

Denir e os cinco irmãos nasceram em Treviso, cidade vizinha à Nova Veneza, e na visita, em 2015, reviu parentes e se emocionou ao rever a escola e a casa onde nasceu. Filho de Dionísio Daleffe – in memoriam – deixou a região ainda na década de 50, quando veio com os pais e irmãos até Campo Mourão. “A nossa casa ainda está em pé. É muito emocionante relembrar tudo o que vivi naquela época”, disse.

O evento acontece neste sábado, dia 19. No entanto, na noite de sexta, os convidados acompanham o ritual do fogo, com os tachos do Carneiro no Buraco sendo colocados sobre o braseiro.  Assim, o almoço será o prato típico de Campo Mourão, feito pelo cheff Peteleco. Após o almoço, os Daleffes plantarão mudas no “Bosque dos Daleffes”, local onde serão eternizados os laços da família. Em seguida, Denir Daleffe ficará a frente de uma grande degustação de vinhos e espumantes. À noite os convidados participam de um jantar dançante à moda italiana.

O início

Tudo começou em 1891, quando Giácomo Daleffe, aos 38 anos, desembarcou com a esposa, Santina, e quatro filhos, no Porto de Imbituba, Santa Catarina. Fugindo da peste e das dificuldades da Itália, trouxe consigo a esperança nos olhos. Trabalhador honesto, queria apenas manter a família em terras onde pudesse plantar e prosperar. Queria paz, um canto de harmonia com sua família.

Então, a pé, seguiu com a mulher e os filhos pequenos por caminhos jamais abertos. Foram cerca de 90 quilômetros abrindo picadas com facão e foice. Carregavam malas e dormiam em meio ao mato, junto a cobras e outros animais. Tinham pouca comida e muita esperança. Finalmente, após algumas semanas de muito sofrimento, chegaram a um lugarejo conhecido até hoje como “Montanhão”, ao lado de Treviso. Um lugar bastante elevado, parecido com a Europa. E foi ali que tudo começou.

Ainda hoje, uma única família de Daleffes mora no Montanhão. Trata-se do Núcleo familiar de Alcide Daleffe, 66 anos. Filho de Ricieri Daleffe – irmão de Dioníso Daleffe de Campo Mourão – Cid, como é conhecido, continua a viver como Giácomo: da agricultura. Na vida digna e honesta, traz consigo os mesmos traços da família: bons trabalhadores. Ali, construiu sua casa ao lado da esposa Isabel e dos filhos Rodmar, 41, e Rosana, 45. “Nunca deixarei este lugar. Aqui é meu canto, meu trabalho, meu sustento”, disse.


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